O valor universal da água, no que diz respeito à sobrevivência da Humanidade e à importância que tem por exemplo para as questões energéticas e da regeneração do corpo, obriga a que cada um de nós deva tomar esse recurso como finito e o preserve em todas as formas de utilização. As cidades que o têm como recurso económico e identitário devem saber potenciá-lo como desenvolvimento, contribuindo assim para o desígnio universal. Este é um espaço de estas e de outras águas. De todas as águas.

2010-04-30

Pavilhão de Portugal em Xangai

Imagem: Pavilhão de Portugal em Xangai, arq. Carlos Couto

O Pavilhão de Portugal na Expo 2010 de Xanghai foi desenhado pelo arquitecto Carlos Couto, radicado em Macau. O Pavilhão tem uma área de 2.000 m2 e apresenta uma fachada revestida de cortiça, material nacional, reciclável e ecológico. Pretende-se que seja um exemplo de inovação e de boas práticas ambientais que potenciam a imagem de Portugal na maior Exposição Universal alguma vez realizada. Reflecte o conceito de sustentabilidade dos edifícios das cidades contemporâneas e realça-o como elemento-chave das políticas nacionais em termos económicos e ambientais.
O Pavilhão está organizado de acordo com um percurso expositivo que corresponde à experiência de visita, sob os lemas “Portugal, uma Praça para o Mundo” e “Portugal, um Mundo de Energias”.
Há um momento de entrada dedicado aos 500 anos de relações entre Portugal e a China, seguindo-se a projecção de um filme numa sala para apresentar o Portugal de hoje. Depois, segue-se uma zona dedicada às energias renováveis e, no quarto momento, será retomada a marca Portugal, para apresentar o que o país tem de mais importante ao nível do design e da manufactura de produtos.
Para além deste Pavilhão principal, Portugal tem um segundo Pavilhão, a “ttt – Torre Turística Transportável”, uma inovação em arquitectura sustentável, que pode ser visitada durante a Exposição Universal na UBPA (Urban Best Practices Area), um espaço reservado às melhores práticas ambientais de arquitectura e soluções urbanas. A ttt conta com 9 m2 de área de construção e três pisos distribuídos por cozinha e espaço de refeições, espaço de estar, escritório, quarto, varanda exterior e duas instalações sanitárias. De acordo com a representação portuguesa, está em perfeita consonância com o tema da Exposição Universal: Better City, Better Life (Melhores Cidades, Melhor Qualidade de Vida).
Este pavilhão é composto por módulos que podem ser conjugados vertical ou horizontalmente, numa estrutura construtiva que congrega a utilização da madeira e do vidro, apresentando polivalência e eficiência energética.
A Torre Turística Transportável é um projecto do arquitecto José Pequeno, desenvolvido em parceria com a Universidade do Minho e o grupo DST, representando um investimento de cerca de dois milhões de euros.

2010-04-29

Sobre a Água (Xangai 2010)

Imagem: Pavilhão Corporativo, em Xangai, de Atelier Feichang Jianzhu

Amanhã, abre a maior Exposição Universal de sempre, na cidade chinesa de Xangai, nome que, traduzindo, significa “sobre a água”. Sob o tema “Melhores Cidades, Maior Qualidade de Vida”, em Xangai, todavia, como em toda a China, não se deve beber água da torneira que não esteja fervida. Os habitantes bebem principalmente água fervida (kaishui), alguns hotéis servem-na aos seus hóspedes e encontra-se facilmente água mineral à venda.
Antes do regime comunista, Xangai foi o motor industrial do país e teve uma intensa relação com a Europa, simbolizando naquela altura a China mais colonial. Mas com o novo regime, Xangai foi preterida por Hong Kong, apenas voltando a ganhar importância económica na década de 1990, tornando-se, em 2005, no maior porto de carga do mundo.
Crê-se que a Exposição Universal transforme esta cidade e lhe dê um valor acrescentado de cosmopolitismo, para além dos seus actuais recursos turísticos associados aos seus templos, centro financeiro e intensa actividade produtiva nas áreas da cultura e do design.
E, por falar em design – e arquitectura –, talvez um dos mais fantásticos pavilhões desta Exposição seja o Pavilhão Corporativo, com quase 5000 m2 e que possui fachadas com base na reciclagem de embalagens de CD em grânulos de policarbonato, para além de um tubo colector de energia solar no tecto que consegue fornecer energia para produzir água quente até 95º. Neste Pavilhão, a água da chuva é aproveitada e reciclada para ser utilizada para produzir névoa. A névoa pode reduzir a temperatura, purificar o ar e criar um clima mais confortável em ambientes extremos.
Estas e outras inovações dever-nos-iam trazer um mundo melhor em termos de sustentabilidade ambiental, a começar no país em que decorre.

2010-04-28

Águas Turvas (3): Lixos nas Caldas de São Jorge?

Imagem: Fachada parcial do balneário termal das Caldas de São Jorge

Li e ouvi dizer que há quem queira depositar os lixos indiferenciados dos concelhos de Gaia e Santa Maria da Feira num aterro junto às Caldas de São Jorge, em vez de se optar pela adesão à Lipor. Os opositores entendem que o aterro prejudicará os recursos aquíferos e a imagem das Caldas de São Jorge. E parece que as Câmaras estão em silêncio.
Não costumo apenas opinar por aquilo que as notícias me sopram, e gostaria de saber se nos estudos prévios, supostamente de base técnica e científica como convém, são considerados a afectação eventual de recursos aquíferos e o impacte na economia associada a estas termas, principal actividade desta freguesia, numa das principais estâncias termais do país. E também, por outro lado, se esta é a única solução para estes lixos.
Talvez, neste espaço, possamos ter o contributo de quem, cumulativamente, exerce cargos importantes: de âmbito político em Santa Maria da Feira, de gestão das termas locais e de presidência da Associação das Termas de Portugal, para que possamos ter o outro (ou o mesmo) lado da verdade, a menos que prefira manter-se no silêncio e não nos esclarecer devidamente. Ficaremos atentos.

2010-04-26

Water-World Hotel

Imagem: 3D do Water-World Hotel Songijang.

Aproveitando uma antiga pedreira na China, foi projectado um novo hotel, tendo um grande lago na base desta pedreira situada em Songijang, cidade universitária satélite de Shangai. A sua capacidade está prevista para 400 quartos e uma área de luxo subaquática, com quartos e salas de estar. Este design-hotel pertence ao Atkins Architecture Group, que ganhou o concurso para a sua construção.
É um hotel que se desenvolve como se fosse uma colina verde suspensa na escarpa rochosa, numa série de terraços com jardins paisagísticos. No centro, há um vidro transparente, dando o efeito de aquário.
Este é um mais um exemplo de uma tipologia hoteleira cada vez mais projectada e, também, procurada pelos turistas. Os design-hotéis estão por todo o mundo, e já chegaram a Portugal. O nosso registo vai para este novo projecto, na China, que da água faz a sua marca principal, para além do aproveitamento de uma ferida no território provocada pela antiga pedreira, agora a transformar num vasto complexo de lazer.

2010-04-25

Águas Turvas (2) : Os Adesivos

Imagem: “A Politica, a Grande Porca”, desenho de Rafael Bordalo Pinheiro (in A Paródia, 1900)

Em qualquer regime político ou mudança governativa há-os os heróis e os adesivos. Os heróis são quem congemina a diferença e a mudança, quem avança corajosamente, se for preciso. Os adesivos, por seu turno, são um espécime humano de oportunistas, egoístas e racionalistas na conquista de poder e mais-valias pessoais.
Já no fim da Monarquia, quando o regime parlamentar se degradava eticamente, Bordalo desenhou a Política como “a grande porca”, criticando os partidos e os políticos através da caricatura e do ridículo.
Depois, em 1910, houve um caso curioso: quem anunciou a República do alto da varanda municipal, espécie de bastão oficial da proclamação, foram os políticos, mas quem efectivamente avançara pela avenida abaixo rumo à Baixa de Lisboa tinham sido os republicanos revolucionários, liderados por Machado Santos que não teria os mais cargos na República e acabaria morto, em 1921, depois de lutar em defesa do regime contra a investida monárquica e sendo vítima das forças revolucionárias que tão longamente cultivara. Em 1910 os profissionais da política souberam o que era “melhor” para o povo e deles surgiu um banho de adesivos, qual nuvem de vorazes gafanhotos.
Os adesivos são uma constante realidade na história política portuguesa, tanto nos últimos anos da Monarquia e na implantação da República, como também na conquista da Liberdade, há 36 anos, e na partidarização actual da política.
No 25 de Abril Salgueiro Maia foi o Machado dos Santos da República. E, hoje em dia, ei-los – os novos adesivos – sempre presentes junto a um novo líder de partido, à espera de um lugar ao sol, praticando a subserviência, tão suficiente para singrar, em vez do mérito profissional e do currículo pessoal, como que culto de uma "tradição adesiva”.
Os adesivos da política à portuguesa são o pior dela e, verdadeiramente, os coveiros do país.

Águas Livres

Imagem: Gravura do Aqueduto das Águas Livres, Lisboa

Classificado como monumento nacional, é um dos mais extensos sistemas de abastecimento de água existentes no mundo, alcançando os 58 quilómetros; o seu nome deve-se ao facto de as águas correrem apenas pela força da gravidade, isto é, livremente.
O Aqueduto das Águas Livres, hoje desactivado, foi mandado construir pelo rei D. João V, a fim de fornecer água a Lisboa, de acordo com o projecto de engenheiro Manuel da Maia, tendo abastecido a cidade a partir de 1748, mas só concluído em 1834.
Mas foi ainda em 1571 que Francisco de Holanda propusera ao rei D. Sebastião a reconstrução de um aqueduto e da antiga barragem romana de Olissipo, para garantir o abastecimento de água à capital. Seria, contudo, em pleno século XVIII que se decidiu avançar com a sua construção, tendo sido os seus custos integralmente suportados pela população de Lisboa, através de taxas que incidiam sobre a carne, o azeite e o vinho.
O Aqueduto possui, na sua parte mais monumental, um conjunto de 35 arcos, de autoria do arquitecto Custódio Vieira, sobre o Vale de Alcântara, onde se destaca o maior arco de vão do mundo em alvenaria de pedra, com 65 metros de altura e 32 de abertura.
A galeria interior tem dois corredores (Passeio dos Arcos), pelos quais se podia caminhar e desfrutar da vista panorâmica em redor, porém o elevado número de suicídios e assassinatos levou a que a partir de 1844 fechasse ao público. Actualmente, o Museu da Água, que tutela o aqueduto, organiza visitas e passeios em datas e horas que variam consoante as estações.
Na minha opinião, é este o monumento que Lisboa deve candidatar a património mundial da humanidade, e não a Baixa Pombalina, esta já fortemente descaracterizada e de gestão muito difícil no quadro do património da UNESCO. Para além das suas características formais singulares, o Aqueduto tem o valor excepcional de ter sido suportado financeiramente pela população, inclusivamente quando o país possuía bons recursos vindos da riqueza do Brasil.
Neste Dia da Liberdade, é justo lembrar que, nos grandes feitos de um país, está sempre a generosidade do seu povo. Há dois séculos e meio, tal como há 36 anos.

2010-04-23

Mar Português

Hoje, Dia Mundial do Livro: Portugal também se cumpre, defendendo os seus recursos naturais e, com eles, ganhar novos desafios de futuro.

Mar Português
(Mensagem, de Fernando Pessoa)

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

2010-04-22

Um Mês com as Águas

Do dia 22 de Março (Dia Mundial da Água) ao dia de hoje, 22 de Abril (Dia Mundial da Terra), há um mês que navegamos ao encontro de todas as águas. Obrigado pelas palavras de felicitações dos seguidores, registados e não registados, de dentro e fora de Portugal. Este espaço é nosso e, tal como as águas, não tem fronteiras.

Termalismo Ibérico

A história do termalismo na Península Ibérica tem um percurso semelhante nos seus dois países, mas com diferentes registos nas estâncias diversas que foram crescendo neste território. Por isso, a riqueza patrimonial deste conjunto pode ser potenciada, dada a complementaridade de vestígios históricos, bem como as mais recentes evoluções da hidrologia médica e da arquitectura termal.
Portugal tem o mais completo conjunto de tipos de águas minerais da Europa, tem o maior e mais bem conservado balneário romano, tem o primeiro e mais antigo hospital termal do mundo, tem aglomerados urbanos com termas possíveis de se tornarem cidades termais e tem parques termais desenhados como microcosmos – mágicos – para a terapia do corpo e da alma.
Espanha tem, nas suas termas, importantes vestígios muçulmanos, tem arquitectura neoclássica, como hotéis, casinos e teatros provenientes da época prodigiosa do primeiro turismo termal, e já tem um conjunto significativo de balneários ultimamente reabilitados.
Por tudo isto, e porque Portugal e Espanha também têm um clima, um mar, uma história de mãos dadas, apesar de algumas guerras de percurso, então, no termalismo dos dois países, tal como na água, não pode haver fronteiras.
Será que somos capazes de construir um Observatório do Termalismo Ibérico?

2010-04-21

As Termas da Islândia


Imagem: Lago alimentado por nascente termal na Islândia (in http://vidaeestilo.terra.com.br/)

Os islandeses têm oferecido aos turistas presos no seu país por causa da erupção vulcânica uns banhos termais nas suas piscinas naturais, entre as quais as oito existentes na capital, Reykjavik, com temperaturas entre 29ºC e 42ºC.
Também na cidade de Grindavík, a 39 quilómetros da capital, a Lagoa Azul atrai visitantes, não apenas pela beleza, mas pelas suas propriedades medicinais. São mais de 6 milhões de litros de água com uma temperatura de aproximadamente 40°C, formando um espelho de água térmica de 5 mil metros quadrados. Além do efeito relaxante, a alta concentração de algas e sais minerais é eficiente no combate ao envelhecimento e no tratamento de doenças da pele.
É de aplaudir a decisão dos islandeses neste período difícil para o mundo mas seguramente uma oportunidade turística de valor acrescentado para a Islândia.

2010-04-20

O PIN do Alqueva!

Imagem: Planta do lago do Alqueva

Hoje, foi dado solenemente início oficial às obras do Parque do Alqueva. O empreendimento foi classificado como de Potencial Interesse Nacional (PIN) e prevê quase mil milhões de euros de investimento global, a concretizar ao longo de duas décadas, numa área total superior a dois mil hectares, entre Reguengos de Monsaraz e a albufeira: a Herdade das Areias, com 860 hectares, a Herdade do Pastor, com 475 hectares, e a Herdade do Roncão d'el Rei, com 733 hectares, onde está a arrancar a primeira fase do projecto.
O primeiro de sete hotéis vai ser gerido pela cadeia Alila, sedeada em Singapura. O Hotel do Monte, que resulta da antiga reconversão do monte de caça do rei, deverá estar concluído e pronto a abrir as portas no terceiro trimestre de 2012.
O projecto do Parque do Alqueva prevê ainda quatro campos de golfe, duas marinas, centro equestre e postos de observação de aves na Natureza.
Foi contratado Len Silverfine, especialista norte-americano em marketing estratégico na área do turismo sustentável, para assumir a responsabilidade da política de marketing deste projecto turístico de José Roquette. Len Silverfine tem 40 anos de experiência vividos nas áreas do marketing estratégico e vendas. Para a Intrawest Resorts (Storied Places and Playground) e outras empresas internacionais actuantes no desenvolvimento de resorts, desenvolveu programas de marketing, com os objectivos de desenvolver vectores como a percepção de valor e absorção dos produtos, e de fidelidade dos clientes.
A propósito do lançamento de mais um PIN, cuja legislação foi decidida pelo Governo português através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 95/2005, de 24 de Maio, a ideia foi adoptar novos mecanismos de acompanhamento e desenvolvimento processual destes projectos, para, segundo os seus responsáveis políticos, dinamizar, facilitar e dar confiança e visibilidade ao investimento que, em Portugal, diversifique a base económica existente, incentive emprego qualificado ou crie mais valor acrescentado. E os chavões “critérios para a qualificação dos projectos”, “plano energético”, “sustentabilidade ambiental” e “emprego” não podiam deixar de estar nesse dossiê inicial de arranque deste plano de investimento!
O Parque do Alqueva foi, hoje, anunciado como fortementre empregador. Resta saber quanto vão ganhar os seus empregados. Esperamos que não aconteça o mesmo que um outro PIN em desenvolvimento, noutra parte do país, em que oferecia para a maior parte dos empregos o salário mínimo e 750 euros para licenciados.
Ficamos à espera do desenvolvimento deste sonho – verde – do seu investidor português e do grau de felicidade que irá dar particularmente aos alentejanos!

2010-04-19

As Águas do Mosteiro

Imagem: Levada de águas (in Tinta Fresca)

Tinta Fresca (http://www.tintafresca.net/), jornal de difusão electrónica escrito em Alcobaça e auto-intitulado de arte, cultura e cidadania, é uma das mais notáveis presenças de notícias regionais na rede global. Há muito que me habituei a consultá-lo, desde Lisboa, para saber da região de que sou originário, o Oeste português. A sua presença independente, culta e próxima das populações e da notícia é possível pelo empenho do seu director, Mário Lopes, e da sua pequena equipa. Trata-se de um caso muito interessante, pela persistência e continuidade na actualização de notícias trabalhadas exclusivamente para este espaço. Sempre que posso, envio os meus contributos de opinião (ver: http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=d65dd65d-6538-48a2-b4b5-a95f4149a0d4&edition=114).
De uma das suas últimas notícias, dou hoje conta da organização de um passeio pedestre, no próximo domingo, 25 de Abril, sob o signo de “As águas do Mosteiro de Alcobaça”, organizado pela Casa da Cultura José Bento da Silva (São Martinho do Porto) e com a participação dos Caminheiros dos Pimpões (Caldas da Rainha). No Dia da Liberdade, a partir das 9h30, com encontro no Mosteiro, um passeio pela Natureza, com estas águas que também correm livres.

2010-04-18

Monumentos e Sítios

Imagem: cartaz do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, 2010, IGESPAR

Comemorou-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, este ano dedicado a “Património Rural e Paisagens Culturais”, o lema do IGESPAR para assinalar este dia, seguindo a directiva proposta pelo ICOMOS, que elegeu, para 2010, o património associado à actividade agrícola. Este tema tem em conta que esta actividade testemunha, há milénios, a evolução das sociedades humanas, os seus ambientes naturais, as culturas e paisagens, assim como tem conduzido à transformação gradual de espaços naturais e áreas selvagens, através da aplicação de conhecimentos tradicionais e científicos.
Por exemplo, no tema central deste nosso blog, sei que o dia foi particularmente dedicado aos moinhos de água, em Montaria (Viana do Castelo), com caminhada pelas “Paisagens de Água”, a projecção de um filme, a visita ao renovado Moinho da Costa e a abertura do novo Núcleo Museológico dos Moinhos de Água da Montaria. E também em Bemposta (Mogadouro), nos Trilhos do Azeite e do Pão, a visita foi sobre a arquitectura vernacular dos moinhos de água. Em Alvaiázere, houve a recriação de algumas actividades da tradição rural e moagem de cereais no moinho de água do Carregal, excelente exemplar do património molinológico, recentemente recuperado pela Junta da Freguesia de Maçãs de Caminho. Em Celorico da Beira, houve uma visita guiada ao Moinho da Rapa, pequeno núcleo interpretativo que procura dar a conhecer aos seus visitantes as funcionalidades de um moinho de água e a sua importância numa economia rural e agrícola.
Noutros locais e patrimónios, também se esteve em sintonia com a água.
Em Tomar, os Percursos de Água levaram os visitantes ao Aqueduto do Convento e às suas nascentes. Em Coruche, a visita foi pelo Percurso da Água Doce (Anta de Vale Beiró, Anta Grande do Caminho da Fanica e Anta Pequena do Caminho da Fanica). Em Avis, houve o lançamento de um novo percurso de água, 6.º percurso do Roteiro Artístico do concelho. Foram, também, contemplados, como propostas de visita, fontes e bebedouros da vila. E ainda engenhos flutuantes, com base em materiais reciclados, recriando-se alguns objectos que lembram engenhos hídricos ou sistemas que sirvam de apoio à captação de água, flutuação ou submersão. Na Aldeia da Luz (Mourão), o percurso Museu-Terra-Água foi uma visita guiada seguida de um percurso pela envolvente, onde se apreciaram os elementos sobreviventes da paisagem desaparecida e a nova realidade marcada pelo lago de Alqueva, através de um passeio de veleiro. E, em Lisboa, a viagem foi a Alfama, sob o signo da água e do escritor Almeida Garrett. E ainda visitas à Mãe-d’Água das Amoreiras.
Mas, como acontece por vezes ao fim-de-semana, Alcobaça foi o meu (o nosso) destino de hoje, terra de património, ruralidade e união de rios sob o peso majestático do seu Mosteiro. A cidade estava preenchida de jovens, no âmbito da VIII Jornada Diocesana da Juventude, para ouvirem o Cardeal Patriarca, num discurso no antigo refeitório dos Monges. Mas, o que vi sobre aquela comemoração de hoje foi um apontamento, no exterior do Mosteiro, de diversas actividades sócio-educativas, promovidas pelo Serviço Educativo deste monumento, em colaboração com a Quinta Eco-pedagógica “Pequena Terra”. O programa prometia expositores animados com actividades, à volta da agricultura biológica, das energias alternativas, da reciclagem, do Bird Wathching, dos animais de Quinta, passeios de burro, jogos ecológicos e tradicionais.
Pouca participação, nos minutos que por lá passei, mas apesar disso, pelo que sei, mais do que no vizinho concelho das Caldas da Rainha, terra de águas... mornas!
De seguida, espreitei pelos vidros do Armazém das Artes (fechado) e um olhar guloso pela doçaria da Alcoa, para me deliciar, depois, com mais um almoço no restaurante de sempre, o Trindade, que recomendo a quem desconhece.

2010-04-17

O Cinema nas Termas

Imagem: Guido (Marcello Mastroianni) em

Esta tarde, revimos em casa o filme , de Federico Fellini. Realização franco-italiana, de 1963, filmada na cidade termal italiana de Montecatini, obtendo o Oscar, no ano seguinte, para o melhor filme estrangeiro e figurino. Encontra-se na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos, segundo o crítico – premiado – Roger Ebert, e considerado mesmo o melhor filme de sempre, segundo o crítico brasileiro Rubens Ewald Filho.
Trata-se de uma autobiografia de Fellini, já que o personagem é um cineasta em crise de criatividade, que se refugia numa estância de águas termais em busca de inspiração e para a qual transitam todos os seus intérpretes.
A obra de Fellini é eterna, tal como deviam ser as termas que serviram de cenário a este filme. Estas e todas as outras, desde que saibamos preservar o recurso essencial da água mineral natural e a ambiência tão própria destas estâncias de cura e lazer; essa água que serviu de inspiração ao próprio Fellini, para criar uma obra imaginosa, no meio de um cenário de beleza humana – as mulheres da vida do cineasta – e da arquitectura termal. O melhor da Arte, digo eu.
Cenas do filme são retalhos do quotidiano do aquista em tratamento individualizado ou  colectivo: a ingestão de água, os banhos de imersão e de lama, a inalação de vapores no imenso emanatório, o passeio pelas alamedas e pelos percursos arquitectónicos, as noites dançantes, as exposições, as lojas. Até o excesso de ingestão que traz febre a uma das aquistas, personagem do filme.
Quem vê uma vez precisa de ver mais, para alcançar toda a sua beleza. Também às termas é necessário voltar. Quanto interessante seria promover a rodagem de um bom filme nas nossas estâncias termais.

Caldas da Saúde

Imagem: Buvette no balneário termal das Caldas da Saúde (in Tempo Livre, 214, p. 36)

No número deste mês da revista Tempo Livre (http://www.inatel.pt/ResourcesUser/Fundacao/tl/214.pdf), do INATEL, mais um artigo partilhado com a Helena, desta vez numa visita às “Caldinhas”:

Caldas da Saúde
O nome diz bem com o lugar. Ar puro, paisagem verdejante, águas quentes. As Caldas da Saúde oferecem um conjunto de programas de tratamento e bem-estar, tal como toda a tranquilidade que quem visita também procura.
Desde a casa dos banhos de final do século XIX até à mais recente remodelação do actual balneário, esta estância termal do concelho de Santo Tirso tem evoluído muito no sentido de fazer jus ao nome. A saúde é lema para todos os que se regeneram das doenças das vias respiratórias, reumáticas e músculo-esqueléticas.
Inicialmente sob impulso da Câmara e durante o primeiro quartel do século XX na posse de privados, estas termas dotaram-se de balneário e hotel, captando uma clientela proveniente sobretudo do norte do país.
Em 1908, o inspector de águas Tenreiro Sarzedas descreve o balneário como tendo “três banheiras de mármore para os banhos de 1.ª classe, oito de azulejo para os de 2.ª e três de cimento para os de 3.ª. Uma sala com duches de agulheta e banheira de chuva (…). Embora a água seja também usada internamente, não há buvete que a forneça, é colhida para tanto no grande depósito.” Em 1918, a publicação Águas e Termas Portuguesas dá conta de que, nesse ano, iria abrir um novo hotel, com todas as comodidades e conforto e serviço de mesa e de dietas dirigido por um afamado cozinheiro estrangeiro. As Caldas da Saúde tinham sido adquiridas por Albino de Sousa Cruz, emigrante regressado do Brasil.
À entrada dos anos 30, o Hotel das Termas é desafectado da sua função para acolher o Colégio de La Guardia, da Companhia de Jesus, quando esta, em 1932, regressou a Portugal. A Constituição de 1933 (abolindo as leis de excepção por motivos religiosos) e o decreto de 12 de Maio de 1941 (reconhecendo a Companhia de Jesus como corporação missionária) normalizaram a situação jurídica dos Jesuítas em Portugal. Nesta altura, já a Província Portuguesa da Companhia de Jesus, depois de prolongados debates internos, se decidira, em 1938, pela aquisição do conjunto termal, formando a Empresa das Caldas da Saúde e remodelando profundamente o edifício do antigo Hotel das Termas para Colégio do Instituto Nun’Alvares.
Outras unidades de alojamento foram surgindo na pequena povoação e adquiridos terrenos da Quinta contígua, para alargamento das instalações, sobretudo para zonas de recreio. Em 1952, dá-se um grande incêndio no Colégio, e a reabertura ocorre quatro anos depois, com projecto de remodelação da autoria do arquitecto Fernando Távora e do engenheiro Bernardo Ferrão. Esta intervenção permitiu, entre outros aspectos, a criação de uma ampla biblioteca, incluindo uma sala de leitura envidraçada aberta para o jardim exterior. Os mesmos técnicos seriam autores também dos projectos para uma nova igreja, em planta hexagonal, inaugurada em 1964, e de um novo pavilhão de ensino.
Quanto ao balneário, teve sucessivas remodelações e ampliações que culminaram com a grande reforma inaugurada em 1994, desenhada pelo arquitecto Francisco Azeredo, com base em estudos de prospecção inovadores em Portugal e na aposta na oferta complementar ao termalismo terapêutico – a manutenção física (remise en forme) –, ao encontro de novas motivações emergentes no mercado europeu.
A sua remodelação integrou elementos antigos de fachada, paredes autoportantes e molduras em granito, bem como troços de pavimentos provenientes de diferentes épocas e objectos antigos da prática termal. No átrio de acesso às zonas de tratamento, estão em exposição peças do património termal (mobiliário, instrumentos médico-científicos, equipamentos hidrológicos e elementos arquitectónicos) utilizados anteriormente e que decoram os espaços e marcam as práticas e os rituais do banho do passado.
Em busca de novos gostos e clientes, estas termas têm procurado diversificar a sua lista de tratamentos de bem-estar. Como o “Choco-relax”, com base nos efeitos da água termal aliados aos doces benefícios do cacau. Para quem procura “esculpir” a silhueta, reduzir a celulite, hidratar e suavizar a pele e melhorar o bom-humor, tem à sua disposição este novo tratamento. E quem disse que o chocolate engorda?
É que, a propósito, as tradições gastronómicas são uma parte importante das coisas boas desta região. Na doçaria, por sinal, foram os pastéis “jesuítas” e “limonetes” que projectaram o nome de Santo Tirso e atraem um número elevado de visitantes. Aliás, os primeiros ganharam recentemente novo estatuto, com a criação de uma confraria que pretende preservar as características deste tradicional triângulo folhado, com “chapéu” de açúcar e claras, cujas origens remontam a finais do século XIX. Gozam também de muito boa fama os doces conventuais e as bolachas de Santa Escolástica, estas fabricadas pelas freiras do Mosteiro do mesmo nome, bem como as variadíssimas receitas de doces de ovos.
Além do mais, esta região é bem preenchida de outros atractivos, a descobrir, com as Caldas da Saúde a manterem uma escala pequena, aconchegante e familiar, no meio de um ambiente puro e saudável. Não será por acaso que o povo ainda lhes chama “Caldinhas”. E seguramente, para manterem estas características verdadeiramente competitivas, também elas devem cuidar de si próprias.
Jorge Mangorrinha e Helena Gonçalves Pinto
(in Tempo Livre, 214, pp. 35-37)

2010-04-16

Serra de Água

Imagem: Serra de Água após o temporal, Sérgio Aguiar (in www.cantinhodomundo.com/)

Hoje, na RTP, vejo a espaços o espectáculo de solidariedade com o povo da Madeira. Não comento, aqui, toda a tragédia e, muito menos, alguns dos factores que ajudaram a acentuar os estragos, remetendo para o texto abaixo do engenheiro silvicultor Cecílio Gomes da Silva, há 25 anos.
Refiro, antes, a freguesia mais afectada, Serra de Água, topónimo que deriva dos rudimentares engenhos mecânicos de água nas margens das ribeiras. Muitas famílias procuram lentamente regressar ao dia-a-dia, confrontadas com uma negra realidade, já que perderam as casas. Dizem que o resultado do espectáculo desta noite ajudará à recuperação desta freguesia que, para além do realojamento, se confronta com problemas de falta de água para a rega dos terrenos agrícolas, porque as ribeiras não estão a fazer o seu percurso normal.

Texto de Cecílio Gomes da Silva (in Diário de Notícias, Madeira, 13 de Janeiro de 1985):
“Traumatizado pelo estado de desertificação das serras do interior da Ilha da Madeira, muito especialmente da região a Norte do Funchal e que constitui as bacias hidrográficas das três ribeiras que confluem para o Funchal, dando-lhe aquela fisiografia de perfeito anfiteatro, aliado a recordações da infância passada junto à margem de uma das mais torrenciais dessas ribeiras – a de Santa Luzia – o mundo dos meus sonhos é frequentemente tomado por pesadelos sempre ligados às enxurradas invernais e infernais dessa ribeira. Tive um sonho.
Adormecendo ao som do vento e da chuva fustigando o arvoredo do exemplar Bairro dos Olivais Sul onde resido, subia a escadaria do Pico das Pedras, sobranceiro ao Funchal. Nuvens negras apareceram a Sudoeste da cidade, fazendo desaparecer o largo e profundo horizonte, ligando o mar ao céu. Acompanhavam-me dois dos meus irmãos – memórias do tempo da Juventude – em que nós, depois do almoço, íamos a pé, subindo a Ribeira de Santa Luzia e trepando até à Alegria por alturas da Fundoa, até ao Pico das Pedras, Esteias e Pico Escalvado. Mas no sonho, a meio da escadaria de lascas de pedra, o vento fez-nos parar, obrigando-nos a agarrarmo-nos a uns pinheiros que ladeavam a pequena levada que corria ao lado da escadaria. Lembro-me que corria água em supetões, devido ao grande declive, como nesses velhos tempos. De repente, tudo escureceu. Cordas de água desabaram sobre toda a paisagem que desaparecia rapidamente à nossa volta. O tempo passava e um ruído ensurdecedor, semelhante a uma trovoada, enchia todo o espaço.
Quanto durou, é difícil calcular em sonhos. Repentinamente, como começou, tudo parou; as nuvens dissiparam-se, o vento amainou e a luz voltou. Só o ruído continuava cada vez mais cavo e assustador. Olhei para o Sul e qualquer coisa de terrível, dantesco e caótico se me deparou. A Ribeira de Santa Luzia, a Ribeira de S. João e a Ribeira de João Gomes eram três grandes rios, monstruosamente caudalosos e arrasadores. De onde me encontrava via-os transformarem-se numa só torrente de lama, pedras e detritos de toda a ordem. A Ribeira de Santa Luzia, bloqueada por alturas da Ponte Nova – um elevado monturo de pedras, plantas, arames e toda a ordem de entulho fez de tampão ao reduzido canal formado pelas muralhas da Rua 31 de Janeiro e da Rua 5 de Outubro – galgou para um e outro lado em ondas alterosas vermelho acastanhadas, arrasando todos os quarteirões entre a Rua dos Ferreiros na margem direita e a Rua das Hortas na margem esquerda. As águas efervescentes, engrossando cada vez mais em montanhas de vagas espessas, tudo cobriram até à Sé – único edifício de pé. Toda a velha baixa tinha desaparecido debaixo de um fervedouro de água e lama. A Ribeira de João Gomes quase não saiu do seu leito até alturas do Campo da Barca; aí, porém, chocando com as águas vindas da Ribeira de Santa Luzia, soltou pela margem esquerda formando um vasto leito que ia desaguar no Campo Almirante Reis junto ao Forte de S. Tiago. A Ribeira de S. João, interrompida por alturas da Cabouqueira fez da Rua da Carreira o seu novo leito que, transbordando, tudo arrasou até à Avenida Arriaga. Um tumultuoso lençol espumante de lama ia dos pés do Infante D. Henrique à muralha do Forte de S. Tiago. O mar em fúria disputava a terra com as ribeiras. Recordo-me de ver três ilhas no meio daquele turbilhão imenso: o Palácio de S. Lourenço, A torre da Sé e a fortaleza de S. Tiago. Tudo o mais tinha desaparecido – só água lamacenta em turbilhões devastadores.
Acordei encharcado. Não era água, mas suor. Não consegui voltar a adormecer. Acordado o resto da noite por tremenda insónia, resolvi arborizar toda a serra que forma as bacias dessas ribeiras. Continuei a sonhar, desta vez acordado. Quase materializei a imaginação; via-me por aquelas chapas nuas e erosionadas, com batalhões de homens, mulheres e máquinas, semeando urze e louro, plantando castanheiros, nogueiras, pau-branco e vinháticos; corrigindo as barrocas com pequenas barragens de correcção torrencial, canalizando talvegues, desobstruindo canais. E vi a serra verdejante; a água cristalina deslizar lentamente pelos relvados, saltitando pelos córregos enchendo levadas. Voltei a ouvir os cantares dolentes dos regantes pelos socalcos ubérrimos das vertentes. Foram dois sonhos. Nenhum deles era real; felizmente para o primeiro; infelizmente para o segundo.
Oxalá que nunca se diga que sou profeta. Mas as condições para a concretização do pesadelo existem em grau mais do que suficiente. Os grandes aluviões são cíclicos na Madeira. Basta lembrar o da Ribeira da Madalena e mais recentemente o da Ribeira de Machico. Aqui, porém, já não é uma ribeira, mas três, qualquer delas com bacias hidrográficas mais amplas e totalmente desarborizadas. Os canais de dejecção praticamente não existem nestas ribeiras e os cones de dejecção estão a níveis mais elevados do que a baixa da cidade. As margens estão obstruídas por vegetação e nalguns troços estão cobertas por arames e trepadeiras. Agradável à vista mas preocupante se as águas as atingirem. Estão criadas todas as condições, a montante e a jusante para uma tragédia de dimensões imprevisíveis (só em sonhos).
Não sei como me classificaria Freud se ouvisse este sonho. Apenas posso afirmar sem necessidade de demonstrações matemáticas que 1 mais 1 são 2, com ou sem computador. O que me deprime, porém, é pensar que o segundo sonho é menos provável de acontecer do que o primeiro.
Dei o alarme – pensem nele.”

A Ilha do Vulcão

Imagem: Actual erupção vulcânica na Islândia

O grande problema das erupções vulcânicas da Islândia não reside apenas na afectação que actualmente provocam nas rotas do espaço aéreo. A deposição de cinzas em algumas regiões pode comprometer a qualidade da água potável, o que afecta os humanos e as criações de animais, embora na Islândia a maior parte da água potável seja subterrânea. Estas erupções já provocaram a maior interrupção de tráfego aéreo na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Esperamos que o transtorno não atinja também a terra e os recursos vitais para a vida.

Em Abril, Águas Mil

Imagem: Tornado (ou tromba-de-água) em Lisboa na passada quarta-feira

Como é hábito, chove em Abril, embora neste inverno isso tenha sido recorrente, como há muito não acontecia.
Este adágio popular, que segundo alguns estudiosos tem origem em Espanha e foi assimilado pela cultura popular portuguesa, associa-se, como muitos outros, a fenómenos atmosféricos de previsão do tempo. Tradicionalmente, cada mês passou a ter um determinado tipo de clima, quase por catálogo, embora por vezes a tradição se alterasse. O provérbio “Em Fevereiro, chuva; em Agosto, uva” ilustra a necessidade de chover no segundo mês do ano, para que no oitavo as melhores uvas amadurecessem de acordo com o programado. Por conseguinte, devido à instabilidade climática, que sempre afectou Portugal, os fenómenos meteorológicos violavam constantemente aqueles ditos populares. Se em algum ano falhava o provérbio “Em Abril águas mil”, outro se seguia, “Inverno de Março e seca de Abril, o que deixaria os agricultores a pedirem. Não é, seguramente, o deste ano... a pedirem chuva, mas por certo a pedirem algo mais!

2010-04-15

Águas de Lua e Marte

Imagens da Lua e de Marte depois das descobertas assinaladas

Parece confirmado que há água na Lua e em Marte, no primeiro caso segundo cientistas norte-americanos que identificaram inicialmente depósitos de gelo, com pelo menos 2 metros de profundidade, em algumas pequenas crateras lunares, e no segundo caso, de acordo com cientistas alemães, se se confirmar o degelo e recongelamento da água em Marte, aumentando alguns dos característicos canais da sua superfície. De facto, várias equipas já noticiaram evidências de água, provavelmente congelada, em superfícies desérticas da Lua e de Marte, neste caso, designadamente William Boynton, responsável pelo TEGA (Thermal and Evolved-Gas Analyzer), que, em 2008, exclamou: “Temos água!”, depois de a sonda Phoenix colocar amostras do solo num instrumento que identifica os vapores produzidos por substâncias, tendo sido a primeira vez que a existência de água fora do nosso planeta foi quimicamente detectada. Mais recentemente, uma expedição da NASA, realizada a Saturno, e um instrumento dos Estados Unidos a bordo de uma nave espacial indiana forneceram dados concretos sobre a existência de água na Lua (moléculas de água em superfícies amplas nos pólos) e gelo em Marte (no subsolo).
É, seguramente, o primeiro passo para a vida para além da Terra. Mas que isto não sirva para acelerarmos o fim da vida em Terra, por estragos irreparáveis nos nossos recursos naturais.

2010-04-14

A Bica

Imagem: "Fernando Pessoa", 1954, pintura, inicialmente denominada "Lendo Orpheu", de Almada Negreiros para o Restaurante Irmãos Unidos

A bica de café é hoje celebrada, no Dia Mundial do Café. E o café não dispensa a água.
Em Portugal, em média cada residente consome pouco mais de quatro quilogramas de café por ano, segundo dados da Organização Internacional de Café (OIC). A média europeia é de cerca de seis quilogramas por ano, ou seja, os portugueses bebem em média entre uma a duas chávenas de café por dia, e a maior parte fá-lo fora de casa.
O café tem benefícios e malefícios, neste caso se bebido em excesso. Sobre os primeiros, dizem-me que está cientificamente provado o benefício da cafeína e do consumo de café em situações de Alzheimer, Parkinson e depressão. Mas em excesso pode trazer problemas para o sistema cardíaco e aparelho digestivo, designadamente intoxicação por dose excessiva de cafeína.
O café é a substância psicoactiva mais consumida no mundo. Uma bica tem cerca de 40 mg de cafeína e não merece problema, se for consumido com ou depois de refeição mais ou menos ligeira.
A bica é pretexto de encontro de amigos e um dos prazeres mais permanentes durante os 365 dias dos seus consumidores, actualmente quase em qualquer lugar e antigamente naqueles magníficos estabelecimentos das cidades e das vilas deste país, que popularmente tomaram o nome do seu produto mais consumido. Os cafés das nossas memórias têm desaparecido, como mais um património delapidado pela incúria ou sensibilidade dos homens.
No quadro de Almada, Fernando Pessoa está sentado numa mesa de café e, diante de si, sobre a mesa, tem os dois números da Orpheu, uma bica e um recipiente de açúcar. Eu sempre desconfiei que faltava algo neste quadro. É o copo de água!

2010-04-13

Águas Mater

Imagem: "Maternidade", 1963, Picasso

Destas águas que rompem à viagem para a maternidade, medeia um tempo quase sempre escasso. E uma maternidade é, no seu melhor, um lugar onde se cruzam ânsia, esperança e primeiro encontro.
Em Lisboa, há precisamente 100 anos, formou-se uma comissão de homenagem ao professor Alfredo da Costa, falecido a 2 de Abril de 1910, que outra não podia ser do que a efectivação do sonho de toda a sua vida. Após vários contratempos, a Maternidade Alfredo da Costa viria apenas a ser realidade em 5 de Dezembro de 1932.
Ventura Terra foi o seu arquitecto. O projecto já existia desde 1908, como resposta a uma encomenda para um equipamento pioneiro na cidade de Lisboa, exemplo de novidade programática e de funcionalismo de acento racionalista, tal como as escolas do mesmo autor.
Hoje, por razões diferentes e sob o tecto da obra de mestre Ventura Terra, encontrei, com surpresa, o meu colega Jorge Figueira, notável pensador e escritor da teoria e cultura arquitectónicas.
Conheci o Jorge em 1984, no Porto. Ambos queríamos entrar em Arquitectura. E assim foi. Ele na Escola do Porto e eu na de Lisboa. Presentemente, a relevância do seu percurso de docente na Escola de Coimbra augura sempre novos projectos, numa escola que se tem afirmado com particular interesse no panorama universitário português do ensino da Arquitectura.
Hoje, seguramente, nasceu a sua mais importante realização. O meu abraço, reiterado, pelo seu primeiro descendente, nascido das águas mater.

Ilhas de Águas Emergentes

Imagem: Piscina de águas quentes férreas no Parque Terra Nostra (Furnas, S. Miguel), 2009, Helena Gonçalves Pinto

Furnas e Ferraria (S. Miguel), Carapacho (Graciosa) e Varadouro (Faial) são os topónimos mais conhecidos da história do termalismo nas Açores.
Agora, no vento que nos toca de poente, chega-nos boas notícias de outras águas emergentes. Também na ilha Terceira se augura a possibilidade de exploração da água do Posto Santo, para utilização geotérmica, balnear e industrial. Torna-se muito relevante a oportunidade turística que esta exploração potencia, quanto ao Turismo de Saúde e Bem-Estar, produto estratégico para os Açores, até pela proximidade desse sítio à cidade de Angra do Heroísmo.
Estes estudos, em continuação, inserem-se no Termaz, projecto dirigido pelo Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA), que abrange 35 nascentes nas ilhas de S. Miguel, Terceira, Faial, Graciosa e Flores e é apoiado pelo programa ProConvergência (http://www.proconvergencia.azores.gov.pt/). Para o sucesso desta acção, muito têm contribuído os especialistas envolvidos, para além da recente realização, nas Furnas, do Encontro Internacional de Termalismo e Turismo Termal e do III Fórum Ibérico de Águas Engarrafadas e Termalismo, nos quais participámos no passado mês de Novembro. Sem menosprezo para os demais, é justo reconhecer, em todo este projecto de investigação científica sobre o potencial hidromineral açoriano, o nome do professor José Martins de Carvalho, reputado especialista em hidrogeologia e, sem menor sublinhado, pessoa de notada delicadeza. Defende que as ilhas açorianas podem desenvolver pequenos projectos geotérmicos que utilizem as águas quentes para o aquecimento de edifícios públicos, nomeadamente hospitais e escolas.
Ainda há pouco tempo, o meu amigo António Eloy (http://signos.blogspot.com/search/label/Açores) lhes conheceu o cheiro, quando ali se deslocou para gravar parte do filme sobre as energias, cujo guião é seu.
É de notar que os 80 mil milhões de euros destinados a investir em energias renováveis no nosso país resultam de uma combinação de investimento privado e apoios públicos, mas uma parte menor refere-se à biomassa, às ondas e à geotermia. Estes são segmentos energéticos renováveis importantes, mas com uma dimensão inferior aos três grandes pilares (barragens, sol e vento). Pessoalmente, considero que a biomassa, as ondas e a geotermia deviam cumprir maior percentagem relativa de investimento, até porque tenho muitas dúvidas acerca do reforço de investimento no primeiro pilar energético (barragens).
Um tema a que, certamente, voltaremos neste espaço.

2010-04-12

Termas do Estoril

Imagens: Balneários termais no Estoril, respectivamente gravura de 1894 e fotografias de 1950 e 2010

Com a presença do Presidente da República, foram, hoje, formalmente inauguradas as novas Termas do Estoril. Depois de passados 50 anos sobre a demolição do estabelecimento termal projectado por António Rodrigues da Silva Junior, a Sociedade Estoril-Plage e a Opway Imobiliária foram os responsáveis pela construção do novo complexo "Elements Spa", junto ao Casino e ao Centro de Congressos. O edifício, projectado pelo arquitecto Manuel Gil Graça, tem dois pólos distintos: Spa (programas de beleza e bem-estar) e Termalismo Terapêutico (terapias preventivas ou de tratamento). As águas são utilizadas, sobretudo, em afecções musculo-esqueléticas, dermatológicas e respiratórias.
Trata-se de uma boa novidade, depois de algum impasse na sua finalização e equipamento. E importa lembrar o excerto traçado no nosso último livro:
“E nem que, um dia, esses lugares tenham perdido barbaramente formas que lhe deram origem, regeneram hoje em dia da força viva da água que permanece, pura, para novos programas e desafios. É o caso das Termas do Estoril, que renascem, tendo como linha matriz uma unidade que, em conjunto com o Hotel Palácio, assume como prioridade a valorização das características cosmopolitas do local e, dizemos nós, um pacto com a história, pela demolição que se fizera de um dos espécimes mais importantes da arquitectura termal portuguesa.” (in PINTO, Helena Gonçalves; MANGORRINHA, Jorge, O Desenho das Termas. História da Arquitectura Termal Portuguesa, 2009, p. 336).

Piscinas Biológicas

Imagem: Piscina biológica (OKEÁGUA – Piscinas Eco-Sustentáveis)

O calor voltou e já apetece um bom mergulho. Daí que me lembro falar das piscinas biológicas, cujo contacto inicial foi, há uns anos, na casa de Maria João Melo (http://okedesigner.blogspot.com/) e José Sales Henriques, no Braço da Barrosa (Lagoa de Óbidos). A piscina surgiu como uma extensão da lagoa e um espelho da casa, e ali ficou, aberta ao banho, mas também com uma componente ornamental pelas espécies aquáticas nela instaladas, pouco visíveis nesta imagem. Aliás, estas piscinas são um novo habitat permanente para a flora e fauna. Trata-se de um sistema que usa a Natureza como modelo, recriando a estrutura e dinâmica funcional de uma zona húmida natural, num ecossistema em equilíbrio e com capacidade de se auto-regenerar, já que a limpeza e a purificação das piscinas ecológicas ficam, naturalmente, a cargo das plantas. Desde que surgiram as primeiras na Áustria e na Alemanha, que tem crescido o número de adeptos, com avanços no modo de construção e manutenção. Nalguns países, para além das privadas, existem piscinas públicas, que não trazem preocupações face a eventuais focos de poluição ou aos produtos químicos adicionados nas piscinas convencionais. É neste contexto que, designadamente, o Departamento de Ecologia da Universidade de Évora e o Laboratório de Águas da mesma universidade têm desenvolvido linhas de investigação nesta temática, tendo em vista o aprofundamento e a melhoria das técnicas utilizadas na sua monitorização.

2010-04-11

A Água no Museu

Imagem: Biombo Namban, Museu Nacional de Arte Antiga

Hoje de manhã, estive numa iniciativa do Museu Nacional de Arte Antiga à volta da temática da água nas suas colecções. De facto, muitas são as peças nas quais se associa o elemento água, tanto na representação da pintura, como na utilidade das peças de faiança. De todas, escolho a que terminou o percurso, um dos biombos Namban (1593-1602), da Escola de Kano Domi, têmpera sobre papel, folha de ouro, seda, laca e metal (MNAA, compra em 1954, inv. 1638-1639 Mov). Neste biombo, o pintor narra a chegada dos portugueses ao Japão, em 23 de Setembro de 1543 (de acordo com Teppo-ki´, a crónica da espingarda escrita no Japão no início do século XVII). A pintura retrata o Barco Negro dos namban jin (os bárbaros do sul, como eram designados os portugueses), na costa de Nagasáqui, carregado de “estranha gente e de preciosas e exóticas mercadorias”, sobre um mar castanho, cujos braços penetram o ouro da praia, onde esperam os autóctones.
A partir dessa data, o comércio português intensificou-se com o Japão: compravam prata, cobre, objectos laqueados e espadas e vendiam sedas e ouro adquiridos na China. Em pouco tempo, Portugal passou a ser o único país a intermediar negócios entre o Japão e a China. Foram outros tempos, em que aquelas águas e outros portugueses tiveram a importância que o mundo reconhece.

2010-04-10

Para uma Política de Saúde Urbana


Imagem: Logótipos da iniciativa

No passado dia 7, assinalou-se o Dia Mundial da Saúde, mas hoje, sábado, Lisboa (Jardim Vieira Portuense, em Belém) oferece uma Feira de Saúde Respiratória (inquéritos, avaliações e aconselhamentos), sabendo-se como todos os efeitos de excessiva ou desequilibrada urbanização de algumas das nossas cidades afectam tão gravemente a saúde. Em todo o mundo, tem havido nestes dias uma campanha generalizada que convida as cidades a disponibilizarem espaços para actividades de saúde, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou os Governos para a importância de lançarem políticas de saúde para as cidades. A concentração crescente das populações contribui para uma maior incidência e prevalência das doenças respiratórias crónicas, das doenças cardiovasculares, de cancros e de dibetes, para além de facilitar o aparecimento de doenças infecciosas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) desencadeou o movimento 1000 Cidades 1000 Vidas, com o objectivo de abrir espaços públicos à saúde através das mais diversas iniciativas e, simultaneamente, recolher acções cidadãs de boas práticas.
Nunca é demais referir que alguns aglomerados urbanos, como as cidades termais, têm acrescidas responsabilidades nesta matéria, porque devem servir de exemplo quanto à preservação de ambientes urbanos saudáveis, dado o seu carácter funcional de terras de águas e promoção da saúde.

2010-04-09

As Águas de Alfama

Imagem: Largo das Alcaçarias, em Lisboa, vendo-se à esquerda parte do edifício balnear das Alcaçarias do Duque, em cujo piso térreo se justifica um espaço de memória às Águas de Alfama (Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico)

Em Lisboa, há vestígios relacionados com a utilização das águas minerais de Alfama, as quais tiveram um papel determinante na vida da população.
Para além de outros usos, estas águas foram utilizadas em pequenos estabelecimentos de banhos terapêuticos, ainda em funcionamento durante as primeiras décadas do século passado, um deles mantendo-se até mais tarde, no caso das Alcaçarias do Duque, persistindo até 1978, altura em que as águas foram declaradas inquinadas e abandonadas.
Há vestígios físicos que podem servir de memória, como a cisterna, o piso de cave do edifício contíguo e o piso térreo das Alcaçarias do Duque. Estes e outros edifícios foram sofrendo alterações, fundamentalmente adaptados a outros usos. As nascentes actualmente encontram-se seladas, sendo a água aduzida para o rio Tejo. Torna-se, portanto, admissível que se considere o significado histórico-patrimonial que envolve estas águas, para a promoção do seu aproveitamento, uma vez que representariam um testemunho da vivência tradicional do bairro de Alfama, associado à reabilitação da sua utilidade pública.
Para tal, foi importante o Protocolo de Cooperação entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Instituto Geológico e Mineiro (actual Direcção-Geral de Energia e Geologia), assinado em 27 de Novembro de 2002, tal como a inclusão deste aquífero termal em sede de revisão de Plano Director Municipal.
Abre-se, assim, uma perspectiva para a abertura de um processo de classificação do património físico associado às águas termais de Alfama como Imóvel de Interesse Municipal, delimitando um espaço de memória na zona compreendida pelo Largo das Alcaçarias (antiga Fonte das Ratas), pela Travessa do Terreiro do Trigo e pela Rua do Terreiro do Trigo.
Simultaneamente, no âmbito do protocolo assinado com o antigo Instituto Geológico e Mineiro e em sintonia com a Direcção-Geral da Saúde, justifica-se a realização de uma análise laboratorial e de viabilidade destas águas para uso terapêutico e aproveitamento geotérmico, bem como dar início aos procedimentos conducentes à criação de um espaço de Memória da Água, incluindo a abertura ao público das cisternas.

2010-04-08

Natura

Imagem in http://ehmemo.wordpress.com/

Surpreendentemente, eis que, após a semana de Páscoa, a agenda política em Portugal é marcada pela Lei do Naturismo, proposta pelo partido ecologista Os Verdes. Algumas novidades da proposta legislativa são a permissão da livre prática do naturismo nos espaços públicos em que o hábito já se tenha consolidado, a redução da distância dos locais de nudismo de 1500 para 500 metros em relação a aglomerados urbanos, o aumento do número de praias para nudistas e a atribuição aos municípios do poder de decisão sobre a criação destes espaços. Se a Lei passa, nunca a modinha cantada ao mar terá tanta razão de existir, e o mar agradece: O mar enrola n`areia / Ninguém sabe o qu`ele diz / Bate n`areia e desmaia / Porque se sente feliz.

2010-04-07

Tesouro da Humanidade

Imagem in http://www.cm-tavira.pt/

Abre, hoje, em Tavira a primeira edição da exposição de fotografia ambiental "A Água - Tesouro da Humanidade", uma iniciativa da empresa Águas do Algarve S.A., com o apoio da Câmara Municipal de Tavira, decorrente de um concurso que seleccionou as vencedoras a partir de centenas de fotografias captadas na região algarvia. Esta exposição estará patente ao público até final do mês de Abril, no edifício André Pilate. As imagens seleccionadas podem ser vistas em: http://www.aguasdoalgarve.pt/galeria.php.
Lembro que é em Tavira que existe um Centro Ciência Viva (http://www.tavira.cienciaviva.pt/) para a divulgação científica e tecnológica da água e da energia, numa exposição interactiva onde o visitante pode ficar a saber mais sobre a poluição de cursos de água, a energia hidroeléctrica e a modelação da paisagem pela chuva e pelos rios. Para além desta exposição, os vários espaços onde se desenvolvem actividades e realizam experiências conferem ao Centro uma forte componente prática e experimental.
Um concelho onde a Água é um elemento importante de pedagogia e futuro.

2010-04-06

Água Elástica

Imagem: Fragmento de "água elástica"

A revista Nature revela que cientistas japoneses da Universidade de Tóquio inventaram a “água elástica”, uma espécie de geleia constituída por 95% de água e o restante por dois gramas de argila e material orgânico. Parece que o novo material é, por um lado, mais seguro em termos ambientais, pensando-se já na substituição dos plásticos convencionais por um novo produto mais ecológico, e por outro com propriedades curativas, para sarar a pele de ferimentos ou cirurgias. A investigação decorre, esperando-se que traga mais desenvolvimentos.

À Prova de Água

Imagem: Submarinos em forma de pen (in http://www.likecool.com/)

Parece que, afinal, esta foi a única contrapartida para a compra dos submarinos alemães pelo Governo português. Um conjunto de canetas de USB, em forma de submarino e à prova de água. Ou será que elas têm gravado o resto das contrapartidas?

Águas Turvas (1): o Cacique

Imagem: "Águas Turvas" (in http://photolost.blogspot.com/)

Lars, Patrick e Luca são investigadores respectivamente das universidades de Copenhaga (Dinamarca), Sorbonne (França) e Milão (Itália), trabalhando em Novas Políticas Europeias em Contexto Municipal, num projecto que une em rede universidades de diferentes países. Estiveram em Lisboa e com eles partilhámos experiências e ideias sobre, designadamente, o conhecimento de factores de obstrução na política e na defesa da sustentabilidade do território versus o "vale tudo".
O caciquismo foi um dos temas salientados. Portugal é conhecido lá fora por se colocar na parte cimeira da lista dos países onde existe mais corrupção, a que se associa fatalmente o caciquismo.
O caciquismo do final da Monarquia e do início da República, associado ao interior do país rural e de mentalidade inerte, não desapareceu, só se refinou e adaptou às novas realidades. É o da compra do pequeno favor, do compadrio, do afilhado, da cunha, da pequena influência. Há restos de uma sociedade de servos e senhores, porque uma boa parte da população portuguesa continua a manter intactos alguns hábitos da sociedade servil. O recurso ao caciquismo local é considerado o pior da tradição do municipalismo português.
Perceber a natureza das relações entre os trabalhadores dependentes de uma Câmara Municipal, por exemplo, ou de algumas associações locais relativamente aos eleitos, neste caso numa oposição comprometida que interessa a ambas as partes, ajuda também a perceber o "êxito" de alguns personagens.
Há caciques de todas as espécies. Mas quase todos eles vêm das berças de um ruralismo que os afectou de preconceito. Chegam à cidade de província para estudar. São alunos razoáveis e ingressam na universidade. Aqui, tomam contacto com associações estudantis, e começam o seu percurso. O cacique é régulo por definição, não suporta que a inteligência dos outros conviva com a sua ambição de reinar, de controlar, de influenciar, quase sempre na sombra, não quer que no resultado dessa acção se perceba a sua mão. Mas percebe-se!
Depois de um trabalho de limpeza à sua volta, o cacique fica rodeado de subservientes que o idolatram e lhe fazem as vontades. Quando pode, tem os meios de informação consigo, preparados há longo tempo, e pedras de confiança em instituições locais, nem que para isso ajude à destituição de outras.
Mesmo sendo da oposição ao poder, o cacique espreita-o. Em primeiro lugar, não se dispondo a ir a votos, colabora, ou seja, aposta nas dificuldades para vender facilidades. Num segundo momento, em perfeita harmonia com o poder, até pode estabelecer antecipadamente acordo para ser o sucessor do actual dono desse poder, de quem se espera, aliás, uma retirada no limite das suas possibilidades legais, mas que não pretende que o substitua alguém da mesma cor política, para que mantenha a marca da sua história.
O cacique é dono e senhor das suas próprias associações que criou para lhe dar enquadramento, estruturas anti-democráticas porque não suportam a diferença de opinião.
O cacique é calculista e maquiavélico, mas é nas berças, porém, que tem voz. Volta sempre da cidade grande, onde lhe não deram crédito, porque o único "poder" que aí teve foi à custa do jogo de bastidor.
O cacique é mais uma das vergonhas do pior de Portugal e das nossas cidades.
Com Lars, Patrick e Luca, investigadores e políticos activos, falámos de autores como Shmuel Noah Eisenstadt e Luis Roniger, que escreveram Patrons, Clients and Friends: Interpersonal Relations and the Structure of Trust in Society (1984), e de outros. Ofereci-lhes, simbolicamente, o trabalho sempre actual de Pedro Tavares de Almeida, Eleições e Caciquismo no Portugal Oitocentista (1868-1890) (1991), com uma sinopse traduzida por óbvia gentileza. Porque acreditamos que podemos ter cidades e países livres e democráticos, donos de si e das suas decisões. E para arrumar caciques e totalitários nas prateleiras da História, como ouvi alguém dizer. O passado já foi.
Uma nova política aberta à criatividade, ao conhecimento e à partilha não se coaduna com o caciquismo bolorento e provinciano. O cacique navega em águas turvas. E esta não é a parte fictícia da estória. Será que os caciques têm futuro?

Pelo menos, que o tenha este rum – venezuelano –, curioso no seu nome, seguramente tão bom como o dominicano que, em tempos, apreciei in situ.

2010-04-04

Talassoterapia: a Cura que vem do Mar

Imagem: (Pen)ínsula (fonte: Câmara Municipal de Peniche)

Portugal possui uma ligação forte ao mar – histórica, cultural, económica e social – que tem evoluído ao longo dos anos. Ao espaço de descoberta e de trabalho que se tem consolidado, abre-se uma nova dimensão como espaço de lazer. Na actualidade, estas três grandes funções já coexistem e potenciam novos e competitivos investimentos.
Em 16 de Novembro de 2006, Dia Nacional do Mar, foi aprovada, em Conselho de Ministros, a versão final da Estratégia Nacional do Mar (ver: http://www.emam.com.pt/), sendo que, com esta, saíram reforçados a oportunidade e o desafio de Portugal na sua relação marítima. O oceano representa um meio de comunicação e transporte essencial, num mundo cada vez mais globalizado, e uma fonte de alimentos, fármacos, energia e recursos geológicos e genéticos. Para além do emprego associado directa e indirectamente a estas actividades, o mar e as zonas costeiras têm um papel essencial no bem-estar e na qualidade de vida da sociedade, quer através das actividades de desporto e de lazer, quer através dos serviços fundamentais que nos prestam.
Nas acções estratégicas de planeamento e ordenamento espacial das actividades, designadamente, existe um conjunto de medidas essenciais que contribuem para o desenvolvimento, nas quais se deve incluir a aposta na qualidade e diversidade da oferta dos produtos turísticos.
Nesta nova dimensão, está sem dúvida a talassoterapia, como a utilização combinada, sob supervisão médica e com um objectivo preventivo ou de cura, dos inúmeros benefícios do meio marinho, que consistem no clima, na água, nas algas e lamas, nas areias e em outras substâncias extraídas do mar. Tal como o termalismo, a sua definição é multifactorial, porque é preciso ter em conta quatro categorias que se interligam: a água do mar, os seus derivados, o clima e as técnicas associadas. Os benefícios completos da talassoterapia só se atingem se estes parâmetros forem articulados entre si de um modo equilibrado.
Em Portugal, há um reduzido número de centros talassoterápicos, pelo que se abre uma oportunidade para quem quiser apostar estrategicamente nesta actividade.
A Magna Carta de Peniche (ver: http://www.cm-peniche.pt/) define e formula linhas estratégicas de desenvolvimento ajustadas às condicionantes e oportunidades existentes e à ambição de Peniche para o seu futuro. Daí que, no âmbito do CESTUR (Centro de Estudos do Turismo), partimos da hipótese de que a talassoterapia pode contribuir para este desígnio, a testar em estudo proposto. Esta convicção foi também defendida na palestra que realizei no II Congresso Internacional de Turismo de Leiria e Oeste (Peniche, 20 de Novembro de 2008) e integrada pela autarquia em projectos financiáveis. Contudo, até à data, sem outros desenvolvimentos. Será que o dinâmico executivo penichense apenas pretende, por agora, navegar noutras ondas?

O Mar e a Pesca

Imagem: Pesca (in http://peacelove17.blogspot.com/)

O mar já é uma fonte esgotável de recursos piscícolas, dada a sua superexploração. O futuro da pesca está ameaçado, não só por esse problema, mas também pelas mudanças climáticas e poluição. O primeiro problema tem como causa a pesca com rede de arrasto. Países como a Coreia do Sul, a Espanha, o Japão e a Rússia contribuem para a destruição do mar como recurso alimentar da Humanidade e como ecossistema e ambiente marinho. Ao mesmo tempo, os restantes problemas passam pelas mudanças climáticas, que alteram a circulação das grandes correntes e perturbam o equilíbrio de fauna e flora, bem como pela absorção, pelos oceanos, de quantidades crescentes de dióxido de carbono (CO2), que aumenta ainda mais o nível de acidez da água. Se a exploração continuar no ritmo actual, especialistas auguram para 2048 o fim da reserva dos recursos alimentares do mar. Em Portugal, o problema passa, sobretudo, pelo apoio a uma maior atractividade do sector e ao seu rejuvenescimento, para que não se pesque necessariamente mais, mas melhor. A fileira da pesca pode ainda ser um vector económico importante para o nosso país.

2010-04-03

Submarinos à tona! Políticos ao fundo!

Imagem: Submarino (in http://colorirdesenhos.com/)

A existência de submarinos é justificada pela necessidade de controlo do mar como objectivo permanente de tempo de paz, o que exige um esquema de vigilância que detecte oportunamente desvios de comportamento potencialmente perigosos para a Humanidade. Os submarinos são parte indispensável dessa estratégia, porque só eles podem exercer um controlo abaixo da superfície, para além do controlo de superfície e acima da superfície. Mas, seguramente, que o mar assiste, sereno ou revolto, à história, bem à portuguesa, dos submarinos comprados em tempos à Alemanha, por parte do Governo português. Enquanto que os submarinos voltaram à superfície, o que parece é que alguns políticos, ou seja alguns dos responsáveis desta história, imergem no seu próprio alheamento do caso. São eles que vão ao fundo! Resta saber se por apneia ou com oxigénio. É que a diferença está na sua própria sobrevivência.

2010-04-02

Pela Água!

Imagem: Logótipo da iniciativa

A campanha mundial Dow Live Earth Run for Water (http://liveearth.org/en/run) é a maior iniciativa da história destinada a solucionar a crise global da água. A organização, a Global Water Challenge, tem como objectivo alertar para a necessidade de racionalizar o consumo deste recurso vital, prevendo que, em 2025, dois terços da população do planeta tenham acesso restrito a esse consumo.
A Dow Earth Run for Water acontece no dia próximo dia 18 de Abril, durante 24 horas, em muitas cidades de todos os continentes do mundo. Os participantes propõem-se andar ou correr cerca de 6 quilómetros, em média a distância que percorrem mulheres e crianças que vivem em locais de escassez para conseguirem o acesso à água potável.
As doações on-line e 10% das inscrições das corridas/caminhadas serão distribuídas para ONG sociais que incrementarão projectos para a preservação da água em todo o mundo. Os eventos contarão, em paralelo, com espectáculos musicais ao vivo e actividades pedagógicas sobre a água. Em Lisboa, a partida será junto da Torre de Belém, percorrendo-se um percurso ao longo do rio Tejo.

2010-04-01

Águas Dominicanas

Imagem: Pormenor de casa dominicana, 1996, Jorge Mangorrinha

A oportunidade turística da República Dominicana foi potenciada pelo isolamento imposto pelos Estados Unidos a Cuba, há 50 anos. Em 1959, na sequência desta atitude, os investimentos europeus e norte-americanos foram redimensionados para outros territórios próximos. A República Dominicana foi um desses casos.
Este país ocupa dois terços da ilha A Espanhola. O outro terço pertence ao Haiti. A cultura da República Dominicana tem raízes europeias, africanas e americanas, sentindo-se no contacto directo com a população. O território é de uma beleza notável, onde vivi, em 1996, para executar o Plano Nacional de Ordenamento do Território Turístico (BID/SNEDE, 1996/97), como coordenador técnico de uma equipa de consultores internacionais (portugueses, incluindo uma especialista venezuelana em Transportes) que trabalhou junto do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Banco Central da República Dominicana e da Secretaria de Estado do Turismo.
Foi o primeiro plano turístico, realizado no estrangeiro, a ser coordenado e executado pelo nosso país.
À volta da imensidão das águas de diversos tons de azul ou das cascatas, dos balneários e das represas de água cristalina no interior da ilha, esta terra dá-nos gente hospitaleira, flora espontânea, lagos e pequenos vales de beleza misteriosa, arquitectura colonial e autóctone, pinturas coloridas e jóias de ambar, merengue e puros dominicanos que não ficam atrás dos de Cuba (ver: Jorge Mangorrinha, "Território de Recursos: raízes, tendências e turismo na República Dominicana", in http://arquitectos.pt/documentos/1226277004U8uFG8ne8Xk61BL0.pdf).
A aposta do planeamento turístico em países com estas características é saber potenciar as actividades que ponham o turista em contacto com a população local, ou seja, um turismo solidário que também se desenha, por exemplo na optimização das novas infra-estruturas dos complexos turísticos com as necessidades desse ponto de vista na zona envolvente relacionada com o quotidiano dos autóctones.
Isto para que o paraíso seja sustentável. Mas será que, 14 anos depois de o conhecer, o paraíso ainda existe? Talvez o meu amigo e arquitecto paisagista Ricardo Lanati nos possa explicar.
Ricardo Lanati era o mais jovem dominicano do grupo técnico que, no Banco Central da República Dominicana, dava apoio à nossa equipa executante. Apesar da sua idade, o Ricardo era, sem dúvida, o mais talentoso. Vive, actualmente, entre Florida e Santo Domingo e é um seguidor deste (nosso) blog.

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